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Viés inconsciente

Os vieses inconscientes são geralmente definidos como tendências ou preconceitos de um indivíduo a favor ou contra uma coisa, uma pessoa ou um grupo, tendo em vista seus julgamentos, pensamentos e ideias relacionados a experiências passadas armazenadas no cérebro. Nos induzem a decisões tendenciosas precipitadas e comportamentos prejudiciais à construção relacionamentos pessoais e profissionais.

Mas por que isso acontece? Para garantir a sobrevivência, nosso corpo busca poupar energia. Esse mecanismo foi desenvolvido há milhares de anos quando nossos ancestrais não tinham muito tempo de analisar profundamente as situações antes de agir. O objetivo é minimizar o esforço e maximizar a performance. Uma maneira para isso é, de fato, agir de maneira inconsciente. A repetição e o processo idêntico de algumas atividades como se alimentar ou dirigir, por exemplo, se tornam atividades que exercemos no automático, baseado em padrões e tornando-se inconscientes.

Um viés nos leva a uma forma tendenciosa de pensar entre o contra ou a favor em relação a um determinado grupo de pessoas, cultura ou ação. Nos levam a generalizações estereotipadas de gerações, etnias, raças, classes sociais, orientações sexuais, gêneros e outras questões comportamentais que não definem o que as pessoas são de fato e que pode ser considerado injusto devido a um tratamento desigual.

Não tenho dúvida que essa realidade precisa ser combatida para que possamos construir mudanças significativas nas relações humanas. Temos crenças e fazemos julgamentos de forma automática devido a associações que derivam de memórias armazenadas no mais íntimo de nossas mentes. Tais crenças são incorporadas inconscientemente ao longo da vida, isto é, sem que as pessoas se deem conta, e acabam ditando muitos comportamentos do dia a dia como se fosse algo natural.

No entanto, em uma sociedade civilizada, o mecanismo baseado em intuição pode desencadear decisões erradas por causa de raciocínios deliberados. Sem dúvida, todas as pessoas são “enviesadas” devido à forma como o conceito de autoconsciência e existência são construídos à medida que vivemos nossas vidas. Isso significa que somos todos suscetíveis aos vieses porque somos humanos. Todavia, podemos nos atentar para que possamos identificar situações e raciocínios do cotidiano em que os preconceitos tentam comandar nossa postura ou pensamento.

Estamos sujeitos a um grande número de vieses, tanto no âmbito individual, quanto no âmbito coletivo. Ao longo das últimas décadas, já foram catalogados mais de 170 vieses que tendem a impactar nosso julgamento. Os vieses podem nos fazer tomar decisões erradas não apenas do ponto de vista técnico, mas também até do ponto de vista ético.  

Aqui destaco alguns dos vieses mais comuns:

Viés da afinidade:  A preferência de uma pessoa por indivíduos que sejam mais parecidos com ela, no que se diz respeito a questões ideológicas, atitudes, aparência, religião etc. Esse padrão faz com que tenhamos uma tendência a julgar melhor quem se parece mais conosco.

Viés do estereótipo: Trata-se dos julgamentos que uma pessoa, que pertence a um determinado grupo, faz a respeito de um indivíduo pertencente a outro grupo, não se baseando em atributos específicos ou qualidades do mesmo, mas em generalizações.

Viés da aparência: Como consta no próprio termo, esse tipo de viés acontece quando o julgamento de uma pessoa é baseado em aspectos físicos, isto é, em padrões de beleza que foram se acumulando no inconsciente ao longo da vida.

Viés da auréola: Uma característica é considerada tão positiva que ofusca suas características negativas. Tal viés faz com que haja uma maior permissividade com os defeitos do objetivo enviesado.

Viés da confirmação: O viés da confirmação é uma das piores formas de corroborar um pensamento preconceituoso, pois ele visa justamente “confirmar” crenças pré-estabelecidas em nosso subconsciente, nos induzindo a criar tendências com base em julgamentos rasos, em vez de considerarmos informações realmente relevantes.

Viés de grupo: É a tendência de seguir o comportamento do grupo para não desviar do padrão vigente, com receio de negação ao assumir uma postura divergente.

Viés do narcisismo e do benefício próprio: Visa proteger a nossa autoestima. Faz com que nossa mente inconscientemente processe e absorva a informação que é vantajosa para nós e ignore ou mesmo apague de nossa memória aquela que não é boa. Outra manifestação é atribuir o sucesso ao nosso talento e o fracasso às circunstâncias e aos outros.

Viés do egocentrismo: Ter uma percepção inflacionada sobre nossa contribuição pessoal para qualquer esforço coletivo.

Viés do otimismo ou excesso de confiança: Este viés nos faz superestimar as perspectivas de resultados de nossas atividades e a subestimar seus riscos e geram uma espécie de “ilusão de controle” acerca dos resultados das nossas atividades, mesmo quando não possuímos qualquer controle sobre os diversos fatores que as impactam.

Viés da maternidade: Essa modalidade vai um pouco além do viés de gênero, especificando o julgamento das pessoas em relação às mulheres que se tornam mães. Esse preconceito parte do pressuposto coletivo de que a maternidade impacta na produtividade e capacidade de comprometimento da mulher.

Independente do viés que você esteja sendo impactado, uma boa forma de mitigá-lo é sempre tentar olhar a situação com uma visão mais holística e completa. É seguir o roteiro: parar, dar um passo para trás, analisar, compreender, buscar tomar a decisão correta e seguir em frente. Por isso, temos que ter uma postura vigilante quanto aos nossos comportamentos para sabermos se estamos avaliando coisas ou pessoas com critério ou no piloto automático. Vale a pena a reflexão.

Artigo redigido por Karin Parodi, sócia diretora do Career Group

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